segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Professores da rede pública paralisam atividades contra redução de carga horária e cobram respeito; "não aceitaremos imposição"


A situação da educação tocantinense só piora. A determinação do governo de reduzir custos na Secretaria de Educação Estadual vem gerando protestos e grande insatisfação em escolas da rede estadual de ensino. Essa foi a realidade encontrada no Centro de Ensino Médio Castelo Branco, onde mais de trinta profissionais e quinhentos alunos do turno matutino paralisaram as atividades em protesto contra as imposições e medidas que vão impactar a qualidade das aulas e de vida dos profissionais.

Segundo os professores, a paralisação ocorrerá durante toda esta segunda-feira, nos três turnos. Na oportunidade, os profissionais convocaram representantes do Sindicato da categoria e resolveram oficiar a Diretoria Regional de Ensino e o Ministério Público Estadual para que tomem conhecimento da “calamidade na educação pública”. O documento assinado expressa também o repúdio da categoria e a insatisfação dos alunos que também serão afetados em salas quentes e superlotadas.
A decisão pela paralisação foi tomada após os técnicos da Secretaria de Educação terem percorrido várias escolas no último sábado (08) e emitido parecer favorável ao fechamento de turmas. Só no CEM Castelo Branco são mais de seis turmas que podem ser fechadas. Com isso, os professores podem perder até dez aulas, podendo reduzir o salário em até 25%.
Os professores questionaram ainda os gastos desnecessários com shows e com programas governamentais e criticaram a falta de verbas nas escolas, inclusive para manutenção básica do ensino, como a compra de tinta para pincéis.
“Qual a qualidade de ensino que teremos com uma sala superlotada?”, questiona o professor Jesulê Guida, presidente regional do Sintet. O professor também expressou sua indignação e garantiu que o sindicato se reunirá amanhã para decidir se fará uma paralisação estadual.
Segundo Jesulê, profissionais de cinco cidades já fizeram paralisações individuais nas escolas em repúdio à atitude do governo. “Isso é um absurdo, não concordamos, é querer lesar, enganar a educação e não aceitamos essa imposição”, acrescenta.
Cansados com as atitudes, os professores garantiram que não aceitarão mais as medidas que não sejam discutidas com a classe. “Nós não vamos aceitar da maneira que estão impondo”, garante Delan, professor de Química.

Manifesto dos estudantes

Os alunos aderiram em massa à paralisação e permaneceram em reunião juntamente com os professores durante toda a manhã. Na última sexta-feira (08), um grupo de vinte alunos se dirigiram à Regional de Ensino em protesto contra a exoneração dos professores do curso Técnico em Informática desta mesma escola. Os alunos que teriam seis aulas, tiveram apenas duas por causa da falta de professores.

Posicionamento da Seduc

Os professores criticam também a inércia do governo para discutir a situação. Os alunos do curso técnico reclamam, ainda, que não foram atendidos pela Diretoria Regional de Ensino durante o protesto de sexta-feira.

Arnaldo Filho

Portal AF

Nenhum comentário:

Postar um comentário